Ângelo Correia, que recebe 2200 Euros por mês, diz que suspender subvenções vitalícias é demagogia completa
Ângelo Correia, ex-ministro e ex-deputado do PSD, considera que a proposta, discutida no seio do Governo, de suspender as pensões vitalícias dos políticos “é demagogia completa”.

“Cortar tudo é demagogia completa. Há pessoas que não têm outros meios de subsistência. Conheço vários casos”, afirmou, em declarações ao SOL, acrescentando concordar com cortes de 15%.

Ângelo Correia tem uma pensão vitalícia atribuída de cerca de 2.200 euros. Recebeu-a entre 1998 e 2012, quando uma nova lei veio proibir a sua acumulação com o salário. De acordo com a lei em vigor, quando se reformar pode voltar a receber os 2.200 euros da pensão vitalícia por cargos políticos.

Zita Seabra, ex-deputada do PCP e do PSD, tem também atribuída uma pensão vitalícia de cerca de 3.000 euros. Em declarações ao SOL, considera que os cortes destas pensões “deviam ser iguais” aos cortes que serão adoptados para as pensões de sobrevivência.

“Eu não estou amarrada a nenhuma pensão vitalícia”, afirma, lamentando, contudo, que esta discussão esteja a ser feita “com populismo e demagogia”.

A seu ver, “parece que se substituiu a luta da classe trabalhadora pela luta contra a classe política”. E defende, por isso, uma discussão alargada sobre a “degradação da qualidade da actual classe política” bem como a existência de “alguns privilégios” como a reforma dos juízes do Tribunal Constitucional.

As pensões vitalícias deixaram de poder ser atribuídas em 2005. Quem, à data das novas regras, detinha 12 anos de exercício de funções políticas (deputados ou autarcas, por exemplo) ainda teve direito a pedir a pensão vitalícia. Existem actualmente cerca de 400 pessoas a receber essa pensão.


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