Numa altura em que as dificuldades económicas e a pobreza continuam a ser tema recorrente em Portugal, o presidente da União de Misericórdias, Manuel Lemos, revela, em entrevista ao jornal i, que, embora o número de pedidos de ajuda seja o dobro de há dez anos, “em Portugal só passa fome quem quer”. O presidente da União de Misericórdias, Manuel Lemos, esclarece que "em Portugal só passa fome quem quer”. Em entrevista ao jornal i, o dirigente reconhece que o número de pessoas apoiadas é o dobro daquele que se verificava há dez anos – atualmente são 150 mil todos os dias –, mas que muitos casos de pobreza atuais devem-se a “desconhecimento” e “vergonha”.

“Em algumas zonas urbanas e bairros sociais [a fome] é um problema, sim. Mas também digo que, em Portugal, só passa fome quem quer. Há quem passe fome por desconhecimento da presença de cantinas sociais e temos também os casos de pobreza envergonhada que preferem não pedir ajuda. Mas não é por falta de resposta”, diz, reconhecendo, porém, que nos últimos anos se verificou “um conceito mais alargado de pobreza, de quem teve de mudar os seus padrões de vida”.

Em declarações ao jornal i, Manuel Lemos defende que ser pobre “é uma questão de autoestima, acima de tudo”, dando exemplos de pais desempregados que continuam a vestir-se como se fossem para o trabalho só para que os filhos não notarem diferenças ou aqueles que vão a cantinas sociais e evitam e exposição da família.

Na entrevista, o presidente da União das Misericórdias elogiou ainda a solidariedade dos portugueses, classificando-os como “muito emotivos”, e do Governo, mas só em relação às instituições.

“Face às pessoas, este Governo foi uma desilusão, tendo em conta que lhes cortou reformas", remata Manuel Lemos.


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