Ontem glória da selecção brasileira, hoje sem-abrigo em Portugal
É um nome desconhecido para a grande maioria das pessoas, mas a verdade é que Perivaldo Lúcio Dantas foi jogador da selecção brasileira entre os anos 80 e 90, mas agora, é mais um dos muitos sem-abrigo que vive nas ruas de Lisboa. Ao Diário de Notícias, este antigo craque da bola conta como a vida deu muitas voltas e passou dos relvados do Maracanã às vendas inglórias na Feira da Ladra.

Se no Brasil disséssemos Peri de Pituba, seriam muitos os nativos que se lembrariam da glória do futebol entre os anos 80 e 90. O nome passou despercebido em Portugal e quase ninguém acredita que Perivaldo Lúcio Dantas, agora sem-abrigo e vendedor na Feira da Ladra, foi um craque da selecção canarinha.

A história deste jogador, entregue agora às ruas lisboetas, é contada esta quarta-feira pelo Diário de Notícias. Perivaldo fez parte dos eleitos de Telê Santana para a selecção brasileira e jogou lado a lado com Falcão, Zico e Sócrates, mas a sorte não foi amiga e agora passa os seus dias entre as ruas do Bairro Alto, onde, sem tecto, vive.

“A vida deu muitas voltas até eu chegar aqui”, começa por desabafar o antigo jogador. Na Feira da Ladra, onde tenta semanalmente ganhar mais algum dinheiro conta que “aqui poucas pessoas sabem que fui jogador de futebol. Quando digo que joguei na selecção brasileira começam a rir, ninguém acredita”, confessa.

Perivaldo, agora com 60 anos, revela que, nos tempos em que jogava à bola, era muito cuidadoso com a imagem Agora os tempos são outros, mas a vaidade continua: “vê a minha cara? Eu era um jovem bonito. Hoje não vou perder a minha dignidade. Olhe para mim. Não estou bem?”, questionou.

Em Portugal, jogou no Louletano de Manuel Cajuda e no Torreense de Jesualdo Ferreira, mas a sua carreira não vingou por cá. Contudo, Perivaldo faz jus à canção de António Variações. ‘Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga’, ou, no caso, a carreira é que pagou. “Tive uma vida boa. Mulheres, casas, carros e motos, mas faltou-me a cabeça. A culpa foi minha, um dia deitamo-nos ricos, no outro acordamos pobres”.

Mesmo com as saudades a apertar – tem a mulher e os filhos no Brasil – Perivaldo pensa continuar por Portugal.


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