Orçamento das autarquias gasto em esquemas de corrupção, boys dos partidos, amigos e familiares
“Má despesa pública nas autarquias” é o nome do livro que nasceu de um blogue e que expõe centenas de casos em que o poder local gastou mais do que devia e nem sempre no que era preciso, alimentando esquemas de corrupção envolvendo autarcas, “boys” dos partidos, amigos, familiares, promotores imobiliários. Esquemas que tendem a aprofundar-se com a permanência nos cargos.

Sem papas na língua, os autores Bárbara Rosa e Rui Oliveira Marques participaram na Escola de Verão da Associação Cívica Transparência e Integridade e revelaram vários casos. O objectivo é pôr os cidadãos a pensar, quando faltam pouco mais de duas semanas para as autárquicas.

Paulo Morais, responsável pelo prefácio do livro, considera que as eleições de 29 de Setembro são únicas e as mais importantes de todas, uma oportunidade para a mudança de caras e de práticas.

“Mais de 150 presidentes de câmara, por força da lei de limitação de mandatos, vão-se embora, o que quer dizer que as caras da cacicagem vão mudar. Falta é saber se vão mudar as caras ou, se com a mudança de caras, mudarão também as práticas, porque se apenas mudarem as caras vamos assistir a uma dança de cadeiras e os procedimentos irão manter-se.”

Os autarcas estão entre as pessoas mais criativas, concluíram os autores de “Má despesa pública nas autarquias”.

Rui Oliveira Marques dá alguns exemplos das chamadas parcerias público-privadas (PPP) locais: “PPP em Oeiras para construir escolas, neste caso que estão sob investigação. PPP em Braga para construção de campos de relva sintética. Parece que agora em Braga, antes das eleições, vai ser criada uma PPP, mas ainda não sei bem os contornos, para criar elevadores junto às passagens de nível e estradas onde existem passagens aéreas com escadas e a câmara achou que nesta fase era melhor construir elevadores porque as pessoas, simplesmente, não usam essas passagens”.

Há também quem pense em grande. Rui Oliveira dá o exemplo de parques de diversões orçados em “centenas de milhões de euros” que foram prometidos em Vila Nova da Barquinha e na Moita, mas em que “os famosos investidores privados” desapareceram.

“Depois encontramos outro fenómeno, a da construção de aeroportos de dimensão regional. O de Ponte de Sor já vai em dezenas de milhões de euros, o de Castelo Branco idem. São aeroportos que estarão aptos a receber Airbus A320, que permitem transportar entre 100 a 120 pessoas”, refere Rui Oliveira.


Quem votou nesta notícia



Recomendado para si
Gostou desta notícia?