Portas já procurava uma sede digna de um vice-primeiro-ministro
Paulo Portas estava tão convencido de que iria a ascender a vice-primeiro-ministro que já tinha as suas coisas empacotadas, já se vinha despedindo do pessoal no Palácio das Necessidades, e até empreendia “aventuras nocturnas” pelo património do Estado em Lisboa à procura de uma "sede digna” do seu novo posto.

A descrição da rotina do Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros é feita pelo jornal “Público” e acaba por constituir uma boa medida do grau de surpresa com que PSD e CDS receberam a comunicação do Cavaco Silva ao País esta quarta-feira, 10 de Julho.

Segundo relata o jornal, já no início desta semana, Paulo Portas era “uma figura mais ausente do que presente” no Palácio das Necessidades. Antes de saber o veredicto do Presidente da República, o MNE já tinha tudo empacotado no seu gabinete e foi-se despedindo nomeadamente do pessoal do ministério e de embaixadores, descreve o jornal.

As noites, essas eram ocupadas em “viagens semiclandestinas por Lisboa”. Tratavam-se de “aventuras nocturnas pelo património do Estado na capital”, descreve o jornal.

Segundo o Público, Paulo Portas fez-se acompanhar por alguns dos seus colaboradores de confiança, tendo visitado “inúmeros edifícios em busca do lugar ideal para uma sede digna de vice-primeiro-ministro”.

Ontem, em dia de reunião de Conselho de Ministros, Paulo Portas acabou por faltar a boa parte da reunião. Dando um sinal de que está demissionário, o ministro dos Negócios Estrangeiros fez-se representar na reunião semanal do governo por Luís Morais Leitão, seu secretário de Estado.

Hoje há debate sobre o Estado da Nação na Assembleia da República, e o Diário de Notícias afirma que Paulo Portas estará presente.

Paulo Portas ainda não se pronunciou sobre a decisão de Cavaco Silva, mas, formalmente, o CDS-PP mostrou-se disponível para o diálogo, tal como o PSD e o PS.


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