Se acha que o tempo em 2014 tem sido mau... espere por 2015
Apesar de salientarem que o fenómeno não se irá sentir de igual forma em todas as regiões do planeta, certo é que o próximo ano ficará na história como um dos mais quentes desde que há memória. A conclusão é de um grupo de cientistas alemães e a causa prende-se com a influência de um novo ‘El Niño’, um fenómeno que ocorre nas águas do Pacífico e que está associado a temperaturas elevadas, cheias e, em simultâneo, efeitos de seca.

O ‘El Niño’ vai regressar já no final deste ano e trará consigo as temperaturas mais elevadas desde que há registo, prevê um estudo publicado na revista da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos e realizado por um grupo de cientistas alemães.


Ao jornal i, Armin Bunde e Josef Ludescher, dois dos autores do estudo, explicam que se basearam “num novo método [de previsão] que assenta num índice que compara a temperatura do ar, na zona onde costuma ocorrer o ‘El Niño’, e no resto do Pacífico, permitindo prever o fenómeno um ano antes de acontecer e, desta vez, com 76% de probabilidade”.

A intensidade com que se sentirá não é possível prever, ainda assim os cientistas alemãs acreditam que 2015 será um ano recorde no que diz respeito a altas temperaturas e salientam que “este fenómeno está ligado, normalmente, a cheias na América Central e do Sul e a secas na Austrália e Indonésia”.

Conhecido pelas águas anormalmente quentes no Pacífico, o ‘El Niño’ foi assim designado pelos pescadores da América do Sul que associaram a escassez nas capturas às elevadas temperaturas do mar no período do Natal e final do ano.

No entanto, João Carlos Santos, do Centro de Investigação e de Tecnologias Agroambientais e Biológicas da Universidade de Trás-os-Montes, considera que “é impossível criar fórmulas de periodicidade e intensidade” com tanta antecedência, “até porque só a partir dos anos 80 é que se começou a ter registos mais pormenorizados da água do mar”. Além do mais, refere em declarações ao jornal i, “as previsões para a Europa Ocidental são muito difíceis [de fazer] porque existem vários fatores meteorológicos que definem o clima, nomeadamente a oscilação do Atlântico Norte e as correntes de jacto”.

A meteorologista Isabel Trigo, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), partilha desta opinião, sublinhando, aliás, que tem sido recorrente esta tendência para que em anos de ‘El Niño’ a Península Ibérica tenha outonos e invernos mais chuvosos e mais frio no Norte da Europa. “Se olharmos para um todo, vemos que é essa a tendência, mas já aconteceram anos de ‘El Niño’ com efeitos contrários”.

Apesar disso, a meteorologista admite ao jornal i que “o que acontecer” aquando do ‘El Niño’ “vai ter consequências no clima a nível global” e que será “moderado a intenso, com consequências que se farão sentir já no final do ano e durante 2015”.


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