Secretário do Tesouro americano diz que dinheiro acaba a 17 de outubro
Jacob Lew, o secretário do Tesouro da Administração Obama, já em agosto avisara o Congresso norte-americano que a capacidade de financiamento autorizada terminaria em meados de outubro, pelo que a aprovação de um aumento do teto da dívida federal era urgente. Hoje, Lew enviou uma carta a John Boehner, presidente da Câmara de Representantes, informando-o de uma data precisa: 17 de outubro.

"O Tesouro, agora, prevê que as medidas extraordinárias [que têm permitido financiar o governo federal através de endividamento] estarão esgotadas o mais tardar a 17 de outubro. Estimamos que, nessa altura, o Tesouro disporá apenas de 30 mil milhões de dólares para responder aos compromissos do país. Este montante será em determinados dias muito insuficiente face aos gastos líquidos que poderão ascender a 60 mil milhões de dólares. Se não houver liquidez suficiente, será impossível aos EUA atender a todas as suas obrigações pela primeira vez na sua história", escreveu Lew.

O secretário do Tesouro referiu ainda que a Câmara dos Representantes aprovou legislação que estabelece prioridades nos pagamentos, o que a concretizar-se equivale a um evento de crédito: "Qualquer plano para dar prioridade a uns pagamentos em detrimento de outros é simplesmente um incumprimento com outro nome". Lew utiliza, na missiva a Boehner, o termo maldito default, afirmando que "não há forma de saber o estrago que qualquer plano de atribuição de prioridades provocará na nossa economia e nos mercados financeiros".

A finalizar a carta, o secretário do Tesouro coloca os pontos nos i: "O Presidente continua disposto a negociar sobre a direção futura da política orçamental, mas não negociará permitindo que os EUA deixem de pagar as suas contas em relação a compromissos passados". Recorda que aumentar o teto da dívida federal não aumenta o gasto do governo, mas apenas permite ao Tesouro financiar-se para pagar gastos já aprovados pelo Congresso.

A questão do aumento do teto da dívida federal junta-se à crise política em curso em torno do debate orçamental, que poderá levar, num primeiro momento, a uma paralisia dos serviços não essenciais do governo federal a partir de 1 de outubro, já na próxima semana, e, num segundo movimento, a uma situação de confronto ainda mais duro depois de 15 de dezembro. O novo ano fiscal inicia-se a 1 de outubro e o Congresso terá de aprovar um orçamento para 2014.



Quem votou nesta notícia



Recomendado para si
Gostou desta notícia?