Viana do Castelo, prémio da melhor cidade do mundo terá sido comprado?
A Câmara de Viana do Castelo vai receber este mês, na Suíça, o prémio internacional de “melhor cidade” pela sua “dinâmica” de desenvolvimento, anunciou nesta quarta-feira fonte municipal.

Trata-se de um título atribuído pela associação internacional não-governamental Europe Business Assembly (EBA), que “seleccionou” o município “pelo sucesso na sua gestão e pela dinâmica do desenvolvimento da cidade”, explicou a mesma fonte.

A entrega dos galardões de “melhor cidade” e “melhor gestão” vai decorrer a 30 de Junho e 1 de Julho, na Suíça. Estes prémios foram “criados para distinguir cidades e regiões e a sua cooperação internacional”, acrescentou o município. A autarquia afirma que a sua atribuição a Viana do Castelo foi justificada pela organização com critérios como a atractividade turística, económica, política e social.

Parece no entanto que, segundo relatos internacionais, estes prémios são comprados e não têm muita credibilidade. Ou poderá a CM de Viana do Castelo ter caído no conto do vigário uma vez que existe um custo elevado associado que tem de ser pago por quem “ganha” os prémios.

Esta organização e os seus parceiros envia, segundo os mesmos relatos, centenas de cartas, sobretudo para países em desenvolvimento, nomeadamente África do Sul, Nigéria, Cazaquistão, Azerbeijão, Rússia, Balcãs, entre outros, afirmando que determinada organização ou pessoa ganharam um prémio. Se quem recebe as cartas mostrar interesse então o processo continua, e claro que o prémio não é, aparentemente, pago enquanto prémio, mas enquanto pagamento pela divulgação que posteriormente é feita por aquela organização.

As distinções são às centenas, ou seja, aparentemente para todos aqueles que pagarem e são as mais diversificadas. Desde empresas completamente desconhecidas na antiga união soviética até universidades e autarquias da Nigéria e da África do Sul.

Na África do Sul são vários os exemplos de autarquias que estão a ser confrontadas com as despesas efectuadas para pagamentos deste prémio, bem como as deslocações para o receber.

A EBA tem sede no Reino Unido e delegações na Ucrânia, Rússia, Malta, Trinidade e Tobago, Iraque, Gana e Nigéria. Tratando-se de uma organização europeia, estas localizações de per si podem ser consideradas sui generis. Da mesma forma, apesar de atribuir certas distinções uma vez por ano, e algumas distinções duas vezes por ano, a EBA não divulga os premiados, nem os partilha no seu site, o que não configura uma prática normal. Tão pouco é divulgada a metodologia ou a razão da escolha para determinada atribuição.


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