Idoso multado em 20 mil euros por ter milhafre
Homem de 82 anos manteve durante 20 anos a ave numa gaiola aberta. Pintadinhas foi apreendida e está agora fechada. Há 2 anos um milhafre-real foi apreendido pela GNR a José Ferreira, que não tinha licença para o ter numa gaiola, aberta. Pintadinhas vive agora fechado e quem tratou dele tem 20 mil euros para pagar. Veja o vídeo.

Dali "Pintadinhas" não bateu asas. Dali, da casa de José Ferreira e da mulher, Rosa, em Póvoa de Mosqueiros, Santa Comba Dão. O casal hoje com 82 anos, deu, há 20, com uma ave caída no quintal. Tratou-lhe da ferida na asa direita, indiferente à espécie.

Pintadinhas é um milhafre-real (fêmea), em vias de extinção, protegido por lei. O casal acautelou-a dos cães, abrigando-o numa gaiola esburacada, com a porta aberta para poder sair. Mas o milhafre ali ficou 20 anos, alimentado a peixe e carne crus e ovos cozidos. Voar não era com ele. "Tentámos que voasse, mas nunca o fez", conta José, acamado, tal como a mulher. Rosa chora, apegada à ave que batizou.

José, com reforma de 250 euros, que mal chega para os medicamentos, está inquieto com a multa. "Que me levem a mim. Eu não pago", atira entre os lençóis. É que há dois anos a GNR recebeu uma denúncia e foi lá a casa.

Confirma o oficial de Relações Públicas da GNR de Viseu, tenente-coronel José Machado, que a ave estava numa gaiola "com a porta aberta" e que "só não voou porque não quis". Mas o auto teve de ser passado por José não ter licença para deter a ave que foi apreendida. "A lei determina que estes animais, não tendo autorização, não podem estar em qualquer local ou em qualquer habitação ", esclarece o oficial. Desde a data do auto, (13 de janeiro de 2012), o milhafre só mudou de uma gaiola aberta para outra fechada, na casa ao lado, onde mora a filha do casal, Luísa Antunes.

"Apreenderam a ave, mas não a puderam levar porque não tinham sítio para a deixar. Como estava habituada a ser tratada por nós, não iria ambientar-se e poderia morrer", explica Luísa, nomeada fiel depositária. "Há poucos locais para manter estes animais", reconhece o tenente-coronel José Machado. A nomeação de um fiel depositário é obrigatória até que o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) aplique a coima e decida o futuro da ave.


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